Prédio será implodido e dará lugar a uma nova construção que vai receber 88 famílias de baixa renda
Projeção de como o prédio ficará
Foto: Divulgação
Bruno Rohde
EXTRA
Mais de cem famílias convivendo com lixo, esgoto e ratos. Esse foi o cenário do prédio de número 511 na Rua Frei Caneca, no Estácio, por cerca de 12 anos. Mas o abandono do local está com os dias contados.
O edifício foi desocupado pela Secretaria Municipal de Habitação no último dia 5 deste mês. A saída dos antigos moradores abriu caminho para a implosão da construção, que deve ocorrer em até 60 dias.
No lugar do prédio existente surgirá um novo edifício. O imóvel abrigará famílias cadastradas no Programa Minha Casa Minha Vida. Oitenta e oito apartamentos serão erguidos, de acordo com a previsão do projeto da prefeitura.
Cada um deles terá 39 metros quadrados. As habitações contarão com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda. O prédio será construído sobre colunas. A parte do térreo servirá de área de lazer para os moradores.
O prédio ainda de pé pertenceu ao grupo Bloch Editores e abrigava uma gráfica. Com a falência da empresa de comunicação, o imóvel passou para o controle do Banco do Brasil. O abandono do imóvel fez com que ele acabasse sendo ocupado por famílias de sem-teto. As dívidas de IPTU acumularam-se. Com isso, o Banco do Brasil decidiu ceder o imóvel para a prefeitura.
A Secretaria de Habitação planeja entregar o novo prédio até o início de 2013. As famílias que viverão ali ainda não foram definidas.
Ex-moradora relembra vida no edifício
Neuma Carneiro, de 45 anos, morou por quatro anos no prédio da antiga gráfica. Antes disso, ela vivia no Caju. Mas as agressões do marido fizeram com que a mulher decidisse sair de casa. Através de conhecidos, ela acabou descobrindo a ocupação no Estácio.
Neuma contou que os habitantes do prédio viviam em barracos de madeira. Cada uma das 146 famílias tinha o seu. Banheiro era luxo e banho só de caneca. Neuma comprou seu barraco por R$ 200 de um antigo morador do prédio. Segundo ela, cerca de 450 pessoas habitavam o edifício, incluindo 200 crianças. A mulher conta que a vida era dura para todos os habitantes dali:
— As condições lá eram sub-humanas, sem saneamento básico, sem nada. Lá era a miséria absoluta. Tinha muito rato, muita barata e vários casos de dengue.
Neuma, que é cuidadora de idosos, agora mora em Irajá. E a chance de viver num lugar melhor fez com que ela planejasse voltar a morar com os quatro filhos:
— Quero vida nova.









0 comentários:
Postar um comentário